segunda-feira, 23 de junho de 2008

A Floresta Amazônica

Da Hiléia à Rainforest
Menos de 200 anos se passaram entre a cunhagem do termo "hiléia" para designar a floresta amazônica, pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), e o surgimento de uma parceria inusitada entre o músico britânico Sting e o cacique caiapó Raoni, no final dos anos 80, que contribuiu para transformar a hiléia num ícone da cultura popular do século 20, rebatizada como rainforest ("floresta chuvosa", um termo que nunca vingou em português). Entre uma e outra palavra, forjou-se a imagem por excelência da natureza intocada e ancestral, aquém da história, que ganhava corpo naquela imensidão de selva impenetrável e úmida, cortada pelos rios mais caudalosos da Terra.
Há bem pouco tempo, porém, pelo menos em termos geológicos --uma hora e meia atrás, se toda a história do planeta fosse comprimida em um século--, boa parte da paisagem amazônica era radicalmente diversa: muito mais seca, com um rio Amazonas e as portentosas chuvas minguados em pelo menos 40%, segundo estudo dos pesquisadores Mark Maslin e Stephen Burns na revista Science (vol. 290, p. 2285; 22/12/2000). A floresta, recortada em muitas ilhas separadas por manchas de cerrado e, talvez, até mesmo caatingas, segundo a interpretação do geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab'Sáber1.
Essa paisagem mais ressequida, irreconhecível pelo padrão de exuberância equatorial da Amazônia do presente, já era habitada por homens há pelo menos 8 mil anos. É o que revela o sítio arqueológico da caverna de Pedra Pintada, na margem esquerda do Amazonas, a poucos quilômetros do que é hoje Santarém, no estado do Pará. E não eram provavelmente bandos pequenos de caçadores e coletores, mas sociedades complexas o bastante para produzir peças de cerâmica, um tipo de atividade que exige certo grau de diferenciação social e de especialização, característico de grupos que já dominam a agricultura. O sítio Pedra Pintada foi estudado nos anos 90 pela arqueóloga norte-americana Anna Curtenius Roosevelt2, bisneta do presidente norte-americano Theodore Roosevelt (o grande paladino da criação de parques e florestas nacionais nos Estados Unidos, que, em 1913-4, depois de ter deixado a Presidência, se embrenhou na selva brasileira na companhia de Cândido Rondon, em busca do rio da Dúvida).
A caverna guardava nada menos que a mais antiga cerâmica já encontrada nas Américas --uma constatação no mínimo difícil de conciliar com a imagem tradicional do ambiente amazônico: floresta rica de solos pobres (78% são muito ácidos ou de baixa fertilidade) e reduzida capacidade de sustento para populações humanas, em razão de uma fauna de baixa densidade, embora muito diversificada. Pouca proteína, gente escassa. A melhor prova de que a Amazônia seria um paraíso verde para poucos (ou um inferno idem, dependendo do ponto de vista) estaria na composição de sua população indígena atual: muitos grupos pequenos e isolados, seminômades, com baixo desenvolvimento tecnológico e convivendo em relativa harmonia com o ecossistema em imensos territórios (basta mencionar, como se comprazem em fazer os inimigos da demarcação de terras indígenas, que os cerca de 12 mil ianomâmis brasileiros ocupam 97 mil quilômetros quadrados, uma área superior à da antiga metrópole, Portugal).
Civilizações Varzeanas
Segundo uma corrente que vem ganhando força na arqueologia, esse padrão de povoamento é apenas uma face da história, aquela que pode ser vista do lado de cá do Descobrimento. Ela tem o defeito de escamotear precisamente o que existia ou pode ter existido antes da chegada do colonizador. Na ótica de Anna Roosevelt, já houve uma Amazônia povoada por sociedades complexas e estratificadas, que reuniam dezenas de milhares de pessoas na agricultura de mandioca e talvez milho nas terras inundáveis, fertilizadas com os sedimentos transportados de longas distâncias pelos chamados rios de água branca (na verdade, barrenta), até mesmo dos Andes. Nessas várzeas, que cobrem de 2% a 3% da bacia amazônica (ou até 120 mil quilômetros quadrados, no caso do Brasil, o equivalente a quase um Portugal e meio), e nas suas adjacências, teriam florescido grandes cacicados, como os que legaram as elaboradas cerâmicas marajoara (da ilha de Marajó) e Santarém (nas margens do rio Tapajós). Esses povos guerreiros de cabelos compridos foram descritos nos relatos dos primeiros cronistas europeus, como o religioso Gaspar de Carvajal, que acompanhou a viagem do explorador espanhol Francisco de Orellana à foz do grande rio, dando origem à lenda das amazonas. Segundo Roosevelt, não seriam tão lendários assim --apenas não teriam conseguido sobreviver ao contato com a máquina de guerra européia e a pletora de doenças infecciosas que levava consigo.
Dito de outro modo, o padrão atual de ocupação indígena da Amazônia seria fruto do movimento da história, e não a resultante milenar de um processo biológico de ajustamento à baixa capacidade de sustentação do ambiente. "Cometemos uma injustiça contra essas populações quando as vemos, simplesmente, como selvagens afortunados, adaptados à floresta tropical, ao invés de um povo ecologicamente, economicamente e politicamente marginal que vem perdendo controle sobre seus hábitats e modos de vida", resumiu Anna Roosevelt em "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia"3.
Seu alvo preferencial é Betty Meggers, tão norte-americana, arqueóloga e especializada em Amazônia quanto ela, mas de uma geração anterior. Em parceria com o marido, Clifford Evans, e contando com o beneplácito de governos militares brasileiros, Meggers reinou sobre a arqueologia amazônica nos anos 60 e 70. Ainda que incomodada com o calor, a umidade e os insetos, uma referência constante em seus escritos, Meggers comandou os primeiros trabalhos arqueológicos extensos e sistemáticos na região, reunidos em 1971 numa obra clássica, "Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise" (Amazônia: Homem e Cultura em um Falso Paraíso)4.
O título já trai o viés da arqueóloga com relação à floresta amazônica, que da ótica do determinismo ambiental seria incapaz de dar origem a culturas mais complexas. Mesmo as óbvias exceções, como as cerâmicas marajoara e Santarém, teriam resultado de incursões esporádicas de civilizações estranhas ao ambiente amazônico, oriundas do Caribe ou mesmo dos Andes. Uma vez ali instaladas, teriam entrado num processo irresistível de decadência, provocada pelo meio e suas transformações.
Qualquer semelhança com as teorias periodicamente ressuscitadas para "explicar" o subdesenvolvimento brasileiro, com base na sua localização geográfica ou na insalubridade do meio, é mais que simples coincidência. A Amazônia não é necessariamente sinônimo de atraso social e cultural (embora qualquer viagem por seu interior ofereça copiosos e penosos exemplos exatamente disso); é o que pode constatar todo aquele que se despir de preconceitos e contemplar um vaso marajoara em qualquer museu etnográfico do Brasil.
Eixos De Destruição
Mais que difícil, é impossível conciliar essas duas Amazônias, a que entrou no produtivo e destruidor século 20 com cerca de 4 milhões de seus 5 milhões de quilômetros quadrados cobertos por florestas densas (dos quais 550 mil, ou mais de seis Portugais, seriam destruídos ao longo desses cem anos mais devastadores que a região conheceu sob a ação do homem) e a que precedeu o Descobrimento, provavelmente mais povoada e mais seca à medida que se recua no tempo, com flutuações de população, de cobertura florestal e de pluviosidade cuja amplitude só se pode conhecer hoje pelos métodos indiretos e por natureza fragmentários da arqueologia e da paleoecologia (estudo do ambiente no passado). Só o tempo permite reconciliá-las sem contradição, vale dizer, por meio da história --história natural e história humana.
Não existe uma Amazônia, arquétipo imemorial de floresta majestosa e imutável, mas territórios e paisagens mutáveis, sob influência da ação e do conhecimento humanos. E, assim como foi outra num passado não tão remoto assim, a floresta amazônica, com toda a sua imensidão, não vai estar aí para sempre. Foi preciso alcançar a fantástica taxa de desmatamento de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século 20, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio natural do país está sendo literalmente torrado, pois nem ao menos uma acumulação primitiva de capital ele tem sido capaz de sustentar.
A maioria, particularmente aqueles mais próximos do poder, parece pouco disposta a aprender com o passado. Planos desenvolvimentistas lucubrados nas pranchetas e nas planilhas de computadores em Brasília, como o Avança Brasil, do governo Fernando Henrique Cardoso5, parecem destinados a reeditar o fracasso tão bem caracterizado por Aziz Ab'Sáber no livro A Amazônia - do Discurso à Práxis: "O que se cometeu de pseudoplanejamento, feito à distância, na fase que fundamentou a abertura da rodovia Transamazônica, não tem paralelo em qualquer parte do mundo, em termos de ausência de noção de escala, responsabilidade civil por propostas predatórias e falta de conhecimentos efetivos da realidade física, ecológica e social da Amazônia brasileira".
A abertura e a pavimentação de estradas ainda figuram como paradigma do desenvolvimento, embora se saiba, por extensa experiência, que seu principal efeito é induzir ao desmatamento. Dois estudos que vieram a público no ano 2000 partiram das taxas históricas de desmatamento registradas na Amazônia brasileira nas décadas de 70 e 80 para tentar estimar o quanto de devastação poderia ser causado pela construção e recuperação de 6.245 quilômetros de estradas, previstas no plano Avança Brasil como parte de investimentos em infra-estrutura da ordem de US$ 40 bilhões, ao longo de sete anos. As conclusões são alarmantes.
O primeiro desses estudos foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, mais conhecido pela sigla Ipam6.
Trata-se de uma organização não-governamental sui generis, que reúne sob o mesmo teto investigação científica de primeira qualidade com trabalhos de base, como a autogestão da pesca de várzea na ilha do Ituqui, perto de Santarém, e regulamentos para disciplinar queimadas na colônia agrícola Del Rey, perto de Paragominas (ambos no Pará). O Ipam é uma espécie de primo amazônico de outra ONG de pesquisa, a norte-americana Centro de Pesquisa Woods Hole (WHRC, na abreviação em inglês), que fica na localidade de mesmo nome no litoral de Massachusetts e recebe periodicamente pesquisadores brasileiros do Ipam, para estágios intensivos de treinamento acadêmico sob a supervisão do ecólogo Daniel Nepstad.
O pessoal do Ipam se juntou ao do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, para produzir o seguinte vaticínio, no livreto Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia, de abril de 2000: apenas quatro das estradas incluídas no Avança Brasil - Cuiabá- Santarém (BR-163), no trecho Santarém-Itaituba; Humaitá-Manaus (BR-319); Transamazônica (BR-230), no trecho Marabá-Rurópolis; e Manaus-Boa Vista (BR-174) -, perfazendo um total de 3.500 quilômetros, provocariam ao longo dos próximos 25 a 35 anos um desmatamento entre 80 mil quilômetros quadrados, no cenário otimista, e 180 mil quilômetros quadrados, numa perspectiva pessimista. Algo como um a dois Portugais de floresta derrubada e morta, em apenas uma geração, ou entre um décimo e um quinto da área de mata atlântica que os portugueses e seus descendentes levaram cinco séculos para devastar. Em carta publicada na revista britânica Nature em 11 de janeiro de 2001 ( vol. 409, p. 131), a previsão do Ipam, incluindo agora todas as estradas do Avança Brasil, foi revisada para 120 mil a 270 mil quilômetros quadrados de destruição --até três Portugais.
O segundo trabalho veio à tona em novembro de 2000, novamente pelas mãos de pesquisadores norte-americanos associados com brasileiros, dessa vez numa instituição científica mais tradicional, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mantido pelo governo federal. Liderado pelo ecólogo William Laurance, tinha o claro propósito de refinar os cálculos efetuados pelo grupo de Nepstad, na medida em que se propunha a incluir todas as estradas do Avança Brasil, mais as hidrovias e hidrelétricas previstas no plano desenvolvimentista e a construção de linhas de transmissão de energia elétrica. Submetido à prestigiada revista científica norte-americana Science, o artigo vazou para a imprensa brasileira antes mesmo de ter recebido a aprovação final dos revisores especializados, que seus editores contatam na tentativa de garantir a publicação só de trabalhos que satisfaçam os mais altos padrões de pesquisa (um processo de filtragem conhecido como peer review, ou "revisão por pares"). Acabou saindo em janeiro de 2001 na Science (vol. 291, 19 de janeiro de 2001; p. 438). O time do Inpa também recorreu ao esquema dos dois cenários, mas pintou-os com tintas ainda mais carregadas: em apenas 20 anos, menos de uma geração, iriam restar somente 28% de mata virgem na Amazônia, na previsão mais otimista, ou meros 5%, na estimativa menos otimista, como resultado do Avança Brasil (hoje ainda há 87% da floresta de pé, boa parte intocada).
O projeto de integrar a Amazônia ao Brasil a golpes de estradas como a Transamazônica e a Belém-Brasília dura já quatro décadas. Partiu do conceito duvidoso de que a região representava um "vazio demográfico" (do qual certamente discordariam os índios e as populações ribeirinhas) e estaria portanto vulnerável a apetites estrangeiros. Além de estradas, estava nos planos a ocupação por meio de projetos de colonização agrícola e de latifúndios agropecuários, artificialmente induzidos por incentivos fiscais. Depois vieram os grandes projetos públicos de infra-estrutura e mineração, como a hidrelétrica de Tucuruí e a exploração da serra de Carajás. Com o Avança Brasil, alteraram-se alguns objetivos --na mira está agora o escoamento da produção da soja que avança sobre o cerrado circundante--, mas não a mentalidade que engendrou um "desenvolvimento" no mínimo discutível, como bem resumiu o relatório do Ipam:
"Em função dessa política de ocupação, a população humana na região cresceu de 4 milhões para 10 milhões entre 1970 e 1991, e muitas famílias foram assentadas. O rebanho bovino cresceu de 1,7 milhão de cabeças (1970) para 17 milhões em 1995. Nesse período, a produção de ferro, bauxita e ouro da região rendeu cerca de US$ 13 bilhões. O produto interno bruto (PIB) da Amazônia, que era de US$ 1 bilhão por ano em 1970, subiu para US$ 25 bilhões em 1996 (3,2% do PIB nacional). No entanto, em 1991, quase 60% da população amazônica possuía renda insuficiente e a taxa de analfabetismo era de 24%, uma das mais elevadas do Brasil, situando-se abaixo somente da região Nordeste. Atualmente, a Amazônia detém a pior distribuição de renda do Brasil, que, por sua vez, é um dos países com os piores problemas de desigualdade do mundo".
O Valor Da Floresta
O objetivo central deste livro é desfazer a imagem de que a floresta tenha estado ou vá estar aí para sempre. Acabar com o mito de que a exuberância amazônica, apesar de abarcar mais da metade do território nacional, representa "florestas virgens tão antigas quanto o mundo", como se referiu o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire às matas brasileiras. Ou, ainda, que seja tão vasta e perene a ponto de carecer de valor, ensejando sem maiores conseqüências uma exploração predatória como a que dizimou a mata atlântica em cinco séculos de colonização.
Não menos fundamental, porém, será a noção de que o valor entesourado na maior floresta tropical do mundo precisa ser apropriadamente avaliado e explorado, o que equivale a dizer que ela deve ser ocupada e utilizada de maneira sustentável, de modo a garantir a sobrevivência para uma parcela crescente de brasileiros, de preferência com uma renda e um nível de vida igualmente ascendentes. Qualquer outra proposta para a Amazônia, seja de preservação, seja de exploração, que não atenda a esse objetivo social, está fadada ao fracasso.
Como disse Euclides da Cunha numa famosa frase, relembrada pelo jornalista Ricardo Arnt em ensaio de 1991 ("Um Artifício Orgânico"): "A Amazônia é a última página, ainda por escrever-se, do Gênese". Ela terá de ser escrita por todos os cidadãos de um país que carrega o nome de uma árvore à beira da extinção, marca indelével de uma nação que principiou pela destruição sistemática de florestas, mas que nem por isso precisa insistir sistematicamente no erro.
Quanto às páginas do livro, serão escritas e apresentadas numa ordem concebida com a intenção de demonstrar a necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre a floresta amazônica. Sobre a floresta, bem entendido, e não sobre a Amazônia como unidade geopolítica. Não havendo como abarcar, numa obra desta extensão, todos os aspectos políticos, militares e estratégicos de um território tão vasto e problemático, optou-se por concentrar o foco naquilo que há de mais básico para esse debate: o ecossistema, em suas interações mais imediatas com as populações humanas e com o clima, regional e mundial. É manifesto que somente essas informações de fundo mais científico e econômico são insuficientes para dirimir os muitos debates sobre os destinos da macrorregião, do projeto Sivam ao problema da biopirataria, mas também não é menos certo que muitas das falsas polêmicas sobre ela seriam rapidamente resolvidas com apoio mais sólido e mais freqüente nessas mesmas informações.
No capítulo 1, os temas serão as riquezas mais propaladas da Amazônia, sua biodiversidade (riqueza biológica, ou quantidade de espécies) e sua sociodiversidade (riqueza cultural, ou multiplicidade de nações indígenas e populações tradicionais que a habitam e exploram, exercendo maior ou menor grau de pressão sobre o ambiente). O objetivo do capítulo será demonstrar que, apesar de todo o potencial dessa massa de diversidade e de conhecimento tradicional sobre seus usos para a nascente indústria da biotecnologia, dificilmente resultará daí uma forma predominante de atividade econômica, capaz de prover níveis crescentes de renda para milhões de pessoas. Extrativismo (borracha, castanha, essências) e sistemas agroflorestais (culturas perenes como cupuaçu, açaí e pupunha, por exemplo) são soluções atraentes, em particular se voltadas para o beneficiamento e o aumento do valor agregado dos produtos, mas dificilmente sustentariam mais que populações locais. Além disso, com a transformação progressiva da engenharia genética numa tecnociência da informação, a matéria-prima das seqüências genéticas naturais tenderá a perder importância.
O capítulo 2 será todo ele dedicado ao maior e mais problemático produto do extrativismo, a madeira. Sua exploração nos moldes atuais, absolutamente predatórios, tem funcionado como elo fundamental na cadeia de devastação iniciada com a abertura de estradas. Mas existem alternativas, como vêm comprovando projetos de manejo sustentável (extração racionalizada, que reduz drasticamente o desperdício e prepara o retorno à mesma área, três décadas após o primeiro corte) e de certificação ambiental de madeireiras, de olho num mercado internacional "ecologicamente correto". A principal conclusão do capítulo será que a madeira, mais que a agropecuária ou o extrativismo de produtos não-madeireiros, pode constituir a base de uma economia florestal para a Amazônia, com potencial para gerar renda e emprego para a maior parte de sua população, sem necessariamente levar à degradação da floresta.
Um dos aspectos mais fascinantes da floresta amazônica, suas relações com o clima regional e global, será contemplado no capítulo 3. A apresentação de alguns dos maiores e mais criativos projetos científicos em curso nas florestas tropicais do mundo, como o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (mais conhecido pela abreviação inglesa LBA) e o Projeto Seca-Floresta, servirá para extrair conclusões aparentemente paradoxais, como a de que a floresta é fundamental para a sua própria sobrevivência, ou a de que seus padrões de nebulosidade e de precipitação se parecem mais com aqueles que prevalecem sobre os oceanos do que com os observados sobre os continentes. Em resumo, que a permanência da floresta é crucial para a manutenção de ciclos vitais para o clima e para a economia, justificando a emergência de um conceito que pode revolucionar a forma como se vê a Amazônia: o de serviços ecológicos, ou a contribuição da floresta para insumos equivocadamente tidos como inesgotáveis e, por isso, sem valor, como o maior aparelho de produção de água doce do planeta.
No capítulo final será defendida a conclusão de que a floresta tem, sim, um enorme valor. O que falta é quantificá-lo, explorá-lo e distribuí-lo melhor. Ou seja, que a paisagem florestal, a biodiversidade e a biomassa são commodities do futuro e já se encontram em pleno processo de valorização, produto da escassez crescente. Caberia assim, aos brasileiros, preservá-las, menos em benefício da humanidade que de seu próprio país; e por razões práticas, antes mesmo das motivações éticas (como a não-dilapidação de um patrimônio que também pertence às gerações futuras, as quais continuarão a necessitar dos serviços que a floresta provê ao homem). Enfim, que a exploração racional da floresta amazônica e sua conseqüente conservação constituem também um imperativo de ordem civilizatória, além de pragmática.
1 - Aziz Nacib Ab'Sáber, Amazônia - do Discurso à Práxis. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996; p. 56
2 - Anna C. Roosevelt, "Paleoindian Cave Dwellers in the Amazon: the Peopling of the Americas". Em: Science, vol. 272; 19 de abril de 1996; p. 373.
3 - Anna C. Roosevelt, "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia". Em: Walter A. Neves (org.), Origens, Adaptações e Diversidade Biológica do Homem Nativo da Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq, 1991.
4 - Betty J. Meggers, Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise. Chicago: Aldine, 1971.
5 - O programa Avança Brasil se baseia no Estudo dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento, que, segundo o site do governo sobre o programa (www.abrasil.gov.br/), "é uma radiografia dos grandes problemas nacionais e das imensas oportunidades que o País oferece".
6 - Daniel Nepstad, João Paulo Capobianco, Ana Cristina Barros, Georgia Carvalho, Paulo Moutinho, Urbano Lopes e Paul Lefebvre, Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia (Relatório do Projeto "Cenários Futuros para a Amazônia").
Belém: Ipam, 2000.
Ver também o site: www.ipam.org.br/ O estudo crítico sobre impactos do projeto Avança Brasil está disponível em: www.ipam.org.br/avanca/ab.htm
Autor: Marcelo Leite
Editora: Publifolha
Páginas: 104
Quanto: R$ 17,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
Extraído do www.folhaonline.com.br

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Biocombustíveis: plantar para quê e para quem?

O Brasil está diante de uma grande oportunidade que pode tornar-se referência mundial na produção de biocombustíveis. Uma oportunidade que vem acompanhada de um desafio que exige escolhas estratégicas. O desenvolvimento de um programa nacional de bioenergia pode repetir experiências do passado, concentradoras de terra e capital, com forte impacto social e ambiental, ou pode trilhar novos caminhos, aliando a criação de uma nova matriz energética com políticas de distribuição de renda, geração de trabalho e combate à pobreza rural. Essa foi uma das principais conclusões do debate “Etanol e Biodiesel na Agricultura Familiar”, promovido pela Carta Maior, sexta-feira à noite, em Porto Alegre. A oportunidade e os desafios identificados pelos debatedores surgem em um cenário mundial marcado pelo fim da era de combustíveis fósseis, com pesadas implicações sociais, econômicas, políticas e ambientais.O debate realizado no Hotel Embaixador expressou, sob diferentes inflexões, a seguinte pergunta: a produção de fontes energéticas como biodiesel e etanol deve ter estar subordinada a um projeto de desenvolvimento mais amplo, gerador de trabalho e renda, e ambientalmente sustentável, ou deve ficar subordinada à lógica do grande capital global, que já olha para o Brasil como um novo Eldorado? O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, o consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Marcelo Guimarães, e o engenheiro de produção, Algacir Goron, defenderam a primeira alternativa. “Reproduzir, no início do século XXI, modelos de séculos passados que, historicamente, concentraram renda, produziram desigualdades sociais e destruição ambiental seria uma estupidez e um retrocesso”, resumiu Rossetto. A ameaça da “estrangeirização” do território nacionalA articulação do programa de bioenergia com um projeto de desenvolvimento endógeno enfrenta, entre outras coisas, o apetite voraz de grandes investidores internacionais que começam a exercer uma grande pressão sobre terras brasileiras. Em outras palavras, começam a comprar, direta ou indiretamente, uma grande quantidade de terras brasileiras, abrindo a possibilidade de uma significativa “estrangeirização” do território nacional. Esse processo concentra-se, fundamentalmente, em torno do processo de produção do etanol. Ao abrir o debate, o mediador Bernardo Kucinski apresentou alguns números que dimensionam o tamanho desse mercado. O Brasil possui hoje mais de 330 destilarias de álcool em funcionamento, com outras 19 projetadas para entrar em funcionamento nos próximos dois anos e mais 65 em fase de projeto e desenvolvimento.O Brasil é hoje o segundo maior produtor mundial de etanol (cerca de 17,5 bilhões de litros/ano), ficando atrás apenas dos Estados Unidos (cerca de 20 bilhões de litros/ano). Em 2005, o Brasil foi responsável por cerca de 55% do etanol comercializado internacionalmente. Com as novas usinas que devem entrar funcionamento nos próximos anos, a produção nacional de etanol deve aumentar em pelo menos 7 bilhões de litros até 2010. Essas usinas são proprietárias de cerca de 70% da área de cana plantada no país. Os 30% restantes estão nas mãos de médios e pequenos proprietários. Como a demanda mundial de biocombustíveis deve crescer exponencialmente nos próximos ano, em virtude da forte demanda de EUA, União Européia, China, Japão e Índia, entre outros países, o Brasil tende a aumentar significativamente a área de cana plantada.A exigência da regulação: por um Plano Diretor ruralHoje, essa área é de aproximadamente 6,3 milhões de hectares, sendo cerca de 2,6 milhões para etanol. A estimativa para o período entre 2010 e 2013 é de um aumento de 63% dessa área, chegando a aproximadamente 10,3 milhões de hectares. Uma parte considerável desse aumento está associada ao fato de que grandes investidores e fundos de investimento estrangeiros estão comprando terras e financiando a construção de usinas no Brasil. A Ethanol Pacific, de Bill Gates, por exemplo, já anunciou a intenção de investir US$ 200 milhões para viabilizar a criação de um canal permanente de exportação de álcool para os EUA. Como evitar que esse crescente internacional resulte em um processo que aumente a concentração fundiária e expulse milhares de agricultores familiares de suas terras? Para Miguel Rossetto, o programa brasileiro de biocombustíveis exige opções regulatórias claras para impedir que isso ocorra. Sem regulação, adverte, o modelo será concentrador, repetindo erros do passado. “Vivemos um momento que abre enormes possibilidades para a produção de combustíveis renováveis, através de um programa que alie a questão energética ao combate à pobreza rural. Mas sem um marco regulatório, teremos concentração de terra e renda e não geração e distribuição de renda”, resume o ex-Ministro do Desenvolvimento Agrário. Rossetto enfatiza a importância da idéia de limite que já foi incorporada no contexto do desenvolvimento urbano, mas que ainda enfrenta resistências no meio rural. E fala da necessidade de uma espécie de Plano Diretor para o campo brasileiro. “A sociedade urbana já aceitou a idéia de limite e, através do Plano Diretor, estabelece regras para delimitar a altura de prédios, preservar áreas verdes, etc. Precisamos avançar na direção da construção de um Plano Diretor para as áreas rurais para superar a lógica de vale-tudo e suas conseqüências negativas”.Uma revolução industrial tropicalNa mesma direção de Rossetto, Marcelo Guimarães defende que o grande desafio de um programa nacional de biocombustíveis é criar empregos na área rural. “Essa é uma questão crucial para o Brasil. O futuro é agora ou nunca mais. Se o gigante adormecido acordar amarrado, fracassaremos”. Para Guimarães, vivemos um período análogo ao da Revolução Industrial, quando o aproveitamento do carvão mineral desencadeou um profundo processo de transformações políticas, econômicas e sociais. Ele ilustra esse paralelo histórico e suas implicações: 90% das jazidas de carvão estão situadas acima do Trópico de Câncer e, não por aças, 90% dos países industrializados estão acima do Trópico de Câncer. Cerca de 90% das reservas de petróleo também estão acima desse trópico. A energia fóssil acima do Trópico de Câncer gerou a cidade industrial. Agora, são os países tropicais, abaixo do Trópico de Câncer que têm as melhores condições energéticas, sendo o Brasil, o melhor deles pelas características de seu território”.Para Guimarães, a produção de biocombustíveis como etanol e biodiesel só faz sentido se melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro. Ele observa que a megalópole é o maior câncer que o país tem hoje. Grandes e caóticos aglomerados urbanos que têm, em suas periferias pobres, milhares de pessoas que foram expulsas do campo por um modelo produtivo concentrador. O debate sobre etanol e biodiesel, reforça Algacir Goron, deve ser orientado por um sentido de desenvolvimento, que fortaleça a agricultura familiar e o desenvolvimento regional, e não pela lógica de querer, acima de tudo, transformar o Brasil em um grande exportador de combustíveis. Os três debatedores concordaram também que não existe solução para os problemas urbanos do Brasil sem melhorar a qualidade de vida no campo. Assim, a questão crucial não seria debater se o etanol é melhor que o biodiesel, se deve-se plantar isto ou aquilo, mas sim “plantar para que e para quem”?. Essas questões, por sua vez, estariam subordinadas a uma pergunta mais geral: qual padrão de desenvolvimento e de consumo a sociedade brasileira deseja?
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
Extraído de www.agenciacartamaior.com.br

segunda-feira, 16 de junho de 2008

CLIMA

CLIMA

A atmosfera e sua dinâmica
Com espessura de aproximadamente 600 km, a atmosfera é a camada gasosa que envolve e acompanha a Terra em todos os seus movimentos, devido à força da gravidade.
A atmosfera é composta de vários gases que formam uma mistura transparente, incolor e inodora chamada ar atmosférico. Além dos gases, há também vapor de água, partículas de pó, microorganismos, etc.
Os gases mais pesados estão concentrados mais próximos da superfície terrestre e os mais leves estão mais distantes. À medida que aumenta a altitude, a atmosfera torna-se cada vez mais rarefeita (em altitudes mais elevadas sentimos falta de ar). A 80 km de altitude o oxigênio é quase inexistente, pois, por ser um gás pesado, não se mantém em altas altitudes.

Camadas da atmosfera
Desde a parte mais externa até a superfície terrestre, temos as seguintes camadas:
Exosfera: É a camada mais externa da atmosfera. Começa mais ou menos a 600 km de altitude, e seus limites superiores são imprecisos. Nessa camada, a inexistência de ar permite temperaturas elevadíssimas (mais de 1.000ºC), razão pela qual as naves espaciais devem ser construídas com materiais super resistentes.
Ionosfera: Prolonga-se da mesosfera até cerca de 600 km. O ar é muito rarefeito e carregado de íons (partículas eletrizadas que têm a propriedade de refletir as ondas de rádio, o que torna possível captar essas ondas provenientes de longas distâncias, como de outros países, por exemplo). É nessa camada que os meteoros (popularmente conhecidos como estrelas cadentes) se desintegram.
Mesosfera: Dá início a chamada atmosfera superior e vai da tropopausa até 80 km de altitude. Ao contrário do que ocorre na estratosfera, aqui a temperatura diminui com a altitude (o ar é muito rarefeito), podendo atingir -90ºC no limite superior.
Estratosfera: Estende-se a partir da Troposfera até cerca de 50 km. Ao contrário do que ocorre na troposfera, aqui a temperatura aumenta com a altitude, chegando a atingir cerca de 2ºC na parte superior. O vapor de água é quase inexistente e conseqüentemente não existem nuvens. Essa camada é particularmente importante devido à presença do gás ozônio, que filtra a maior parte dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol. Se não fosse o ozônio, morreríamos pela ação dos raios ultravioleta.
Troposfera: Atinge até cerca de 10 a 12 km de altitude e concentra 75% dos gases e 80% da umidade atmosférica (vapor de água, cristais de gelo etc., que formam as nuvens). É a camada que nos envolve diretamente e na qual ocorrem as perturbações atmosféricas. Na troposfera, a temperatura diminui em média 6,5ºC/km à medida que nos elevamos, podendo atingir -60ºC na parte superior, que é chamada de tropopausa.

Clima e tempo
O Clima corresponde ao comportamento da atmosfera ao longo do ano em determinado ponto da superfície terrestre. Os fenômenos meteorológicos ocorridos em um instante ou em um dia são relativos ao tempo atmosférico. Portanto, se dizemos que hoje o dia está quente e úmido, estamos nos referindo ao tempo, ao comportamento da atmosfera nesse dia. Por outro lado, se dizemos que na Amazônia o tempo é quente e úmido o ano inteiro, estamos nos referindo ao clima da região, ao comportamento da atmosfera ao longo do ano.
Sabe-se que cada região apresenta um clima próprio. O clima do Rio de Janeiro é diferente do clima de Paris, por exemplo, devido a um conjunto diferenciado de fatores climáticos: latitude, altitude, massas de ar, continentalidade ou maritimidade, correntes marítimas, relevo, vegetação e urbanização. A conjugação desses fatores é responsável pelo comportamento dos elementos climáticos que são captados por nossos sentidos: temperatura, umidade e pressão atmosférica.

a) Fatores do clima
Os fatores do clima são:
Latitude: quanto maior a latitude, ou seja, quanto mais nos afastamos do Equador, menores são as médias térmicas anuais. Por ser esférica, a Terra é iluminada pelos raios solares com diferentes inclinações. Quanto mais próximo do Equador, menor é a inclinação com que os raios solares incidem na superfície terrestre. Em contrapartida, quanto maior a latitude, mais acentuada é a inclinação com que os raios solares incidem na superfície da Terra. Quanto maior a inclinação, maior é a área aquecida e, portanto, menor é a temperatura.
Altitude: quanto maior a altitude, menor a temperatura. No alto de uma grande serra é mais frio, no mesmo instante e na mesma latitude, que ao nível do mar. Esse fenômeno é facilmente compreensível, já que a atmosfera se aquece por irradiação; os raios solares aquecem a superfície na qual incidem, seja continente ou oceano, que irradiará o calor absorvido para a atmosfera. Quanto maior a altitude menos, intensa é a irradiação e menor a temperatura. Um raio solar que atravessa a atmosfera sem incidir na superfície ou que reflete e retorna ao espaço sideral não altera a temperatura do planeta, já que não houve retenção de energia. O índice de reflexão – o albedo – de uma superfície varia em função da cor. A neve, por ser branca, reflete cerca de 75% dos raios solares incidentes, enquanto a floresta amazônica, por der escura, reflete apenas cerca de 15%. Quanto menor o albedo, maior a absorção de raios solares, maior o aquecimento e, conseqüentemente, maior a irradiação de calor.
Massas de ar: são bolsões imensos de ar, ventos de escala planetária que se deslocam, por diferença de pressão, pela superfície terrestre, carregando consigo as características de temperatura e umidade da região onde se originaram. À medida que se deslocam, vão se descaracterizando por influencia de outras massas com as quais trocam calor. A classificação das massas é bastante simples: as oceânicas são úmidas e as continentais, com raras exceções, são secas; as tropicais e equatoriais são quentes enquanto as temperadas e polares são frias.
Continentalidade e maritimidade: a maior ou menor proximidade de grandes quantidades de água exerce forte influencia não só no comportamento da umidade relativa do ar, mas também da temperatura. O calor específico da água é maior que o da terra. Em conseqüência, a água demora a se aquecer, enquanto os continentes aquecem rapidamente. Por outro lado, a água retém calor por mais tempo e demora a irradiar a energia absorvida; os continentes esfriam com maior rapidez quando cessa ou diminui a entrada de luz solar ao iniciar-se a noite ou o inverno. Portanto, em localidades que sofrem influencia da continentalidade, a amplitude térmica diária e sazonal é bem maior que a das localidades que sofrem influencia da maritimidade. Por possuir uma quantidade de terras emersas muito maior que o hemisfério sul, o hemisfério norte tem uma amplitude térmica anual maior, com invernos mais rigorosos e verões mais quentes.

Correntes marítimas: são grandes massas de água que se deslocam pelo oceano com condições próprias de temperatura, salinidade e pressão. Possui grande influencia no clima, além de favorecerem a atividade pesqueira em áreas de encontro de correntes quentes e frias, nas quais há a ressurgência de plâncton. A corrente quente do golfo, ou Gulf Stream, impede o congelamento do mar do Norte e ameniza os rigores climáticos do inverno na porção noroeste da Europa. A corrente fria de Humboldt, no hemisfério sul, e a da Califórnia, no hemisfério norte, causam queda da temperatura do ar próximo as litorais, respectivamente do norte do Chile e do sudoeste os Estados Unidos. Isso provoca condensação do ar e chuvas no oceano, fazendo com que as massas de ar percam a umidade. Ao atingirem o continente, elas estão secas, originando, assim, os desertos de Atacama (Chile) e da Califórnia (Estados Unidos). Já as correntes quentes do Brasil (leste da América do Sul), das Agulhas (sudeste da África) e Leste-australiana determinam muita umidade, pois a elas estão associadas massas de a quente e úmido que provocam fortes chuvas.

Vegetação: as plantas retiram umidade do solo pela raiz e a enviam à atmosfera pelas folhas (evapotranspiração). Além disso, a vegetação impede que os raios solares incidam diretamente sobre a superfície. Assim, com o desmatamento, há uma grande diminuição da umidade e, portanto, das chuvas, ale de um aumento significativo das temperaturas médias.
Relevo: além de estar associado à altitude, que é um fator climático, o relevo também influi na temperatura e na umidade, ao facilitar ou dificultar a circulação das massas de ar. Por exemplo, na Europa, as planícies existentes no centro do continente facilitam a penetração das massas de ar oceânicas (ventos do oeste) provocando chuvas e minimizando a amplitude térmica anual. Nos Estados Unidos, as cadeias montanhosas do oeste (Sierra Nevada, cadeias da Costa) impedem a passagem das massas de ar vindas do Pacífico, o que explica as chuvas na vertente voltada para o mar e a aridez no lado oposto. No Brasil, a disposição longitudinal das Serras no Centro-sul do país formam um “corredor” que facilita a circulação da massa polar atlântica e dificulta a circulação da massa tropical atlântica.

b) Elementos do clima
Destacaremos dois elementos do clima: a umidade e a pressão atmosférica.
A umidade corresponde à quantidade de vapor de água encontrada na atmosfera em determinado instante, podendo ser expressa em números absolutos (g/m3) e relativos (%). Todos nós já ouvimos o locutor de rádio dizer que a umidade relativa do ar é, por exemplo, de 70%. Passadas algumas horas, ele diz que a umidade relativa subiu para 90%. Qual a aplicação prática disso?
A umidade é relativa ao ponto de saturação de vapor de água na atmosfera, em média 4%. Ao saturar-se de vapor (ponto de orvalho), a atmosfera promoverá a precipitação ou chuva. Assim, 80% de umidade relativa significa que estamos a 80% da capacidade máxima de retenção da vapor de água na atmosfera, que é de 4% o que significa 3,2% de vapor em termos absolutos. Quando está chovendo, temos aproximadamente 4% de vapor de água, em termos absolutos, e 100% de umidade relativa do ar.
Para que chova, porém, além de o vapor atingir o ponto de saturação, a água tem de se condensar, passando do estado gasoso ao liquido. Isso acontece fisicamente com a queda de temperatura explica os três principais tipos de chuvas que ocorrem no planeta: frontal, orográfica e convectiva.

Os tipos de chuva
Os três principais tipos de chuva são:
Chuva frontal: na zona de contato entre duas massas de ar (frente) de características diferentes, uma quente e outra fria, ocorre a condensação do vapor e a precipitação da água na forma de chuva. A área de abrangência (em quilômetros quadrados) e o volume de água precipitada estão relacionados com a intensidade das massas, variável no decorrer do ano.
Chuva de relevo ou orográfica: em alguns locais do planeta, barreiras de relevo obrigam as massas de ar a atingir altitudes superiores, o que causa queda de temperatura e condensação do vapor. Esse tipo de chuva costuma ser intermitente e fina, e é muito comum nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, onde as serras e chapadas dificultam a penetração das massas de ar úmidas provenientes do oceano Atlântico no interior do continente.
Chuva de convecção ou chuva de verão: em dias quentes o ar próximo a superfície fica leve e sobe para as camadas superiores da atmosfera, carregando umidade. Ao atingir altitudes superiores, a temperatura diminui e o vapor se condensa em gotículas tão pequenas que permanecem em suspensão. O ar fica mais pesado e desce frio e seco em direção à superfície, iniciando novamente o ciclo convectivo. Ao fim da tarde, a nuvem resultante está enorme, chegando a atingir 13km de altitude e provocando chuvas torrenciais. Após a chuva, o céu fica claro novamente.
A pressão atmosférica corresponde a força provocada pelo peso do ar. Quanto maior a altitude, menor a coluna e maior a rarefação do ar, o que diminui a pressão. Sabe-se, ainda, que o ar quente é leve. Esse fenômeno é explicado pela expansão dos gases, ou seja, quanto maior a temperatura, menor o número de moléculas e, portanto, menor o peso de cada metro cúbico de ar. Em contrapartida, quanto menor a temperatura, maior o numero de moléculas por metro cúbico de ar; tem-se, então, maiores peso e pressão.
Todo e qualquer movimento de ar ou vento na atmosfera decorre de diferença de pressão. O vento sempre se desloca das áreas de alta pressão para as de baixa pressão, das áreas de temperaturas mais baixas para as de temperatura mais elevadas. Esse movimento pode se dar entre regiões que distam apenas alguns quilômetros (vento local) ou em escala planetária (massas de ar), deslocando-se das áreas de alta latitude para as de média e baixa latitude. A única exceção, a essa regra são os alísios, que atuam ininterruptamente, com a mesma intensidade, na zona intertropical do planeta, pois são decorrentes do movimento de rotação da Terra.

Climogramas
Para verificar a oscilação das temperaturas e a distribuição das chuvas ao longo do ano, utilizam-se os climogramas – gráficos que nos permitem analisar as variações de climáticas ao longo do ano e em determinadas regiões. Apresentam, na sua base, as letras indicativas dos meses do ano. Num lado, indica-se a variação do regime pluviométrico, e no outro, as variações de temperatura, apresentadas em graus centígrados.
As colunas representam a quantidade de chuva distribuídas ao longo dos meses do ano.

El Niño e La Niña
O fenômeno El Niño começou a ser estudado no inicio do século XX, porem referencias a algo semelhante datam do século XVlll.
O fenômeno consiste no aquecimento das águas do oceano Pacifico, que ocorre no período primavera-verão, com intervalos variados, geralmente de 7 a 11 anos. O nome, que significa “o menino” ou “Menino Jesus”, em espanhol, foi usado pela primeira vez por pescadores peruanos ao observarem a chegada de uma corrente oceânica quente perto do natal.
Aquecida, parte da água evapora, ganha altitude e, levada por ventos de oeste, volta a cair em forma de chuva no oeste da América do Sul, particularmente no Peru e Equador; ao associar-se com frentes frias de origem Antártida, provoca chuvas intensas no Sul e Sudeste do Brasil. Em contrapartida, a pluviosidade diminui no leste da Amazônia e a seca se agrava no Nordeste brasileiro.
Por outro lado, dentro da normalidade, os ventos alísios sopram direcionando as águas quentes superficiais do litoral da América do Sul para Indonésia, provocando chuvas necessárias à região. Aliado a esse movimento das águas ocorre o fenômeno da ressurgência, ou seja, as águas frias mais profundas sobem até a superfície, trazendo consigo uma formidável quantidade de nutrientes, atraindo peixes.
Com a chegada do El Niño, acontecem anormalidades. Os Alísios tornam-se mais fracos e bloqueiam a ressurgência. As chuvas não atingem a Indonésia e se precipitam sobre o meio do Pacífico.
O fenômeno denominado La Niña – ou fase fria – é o oposto do El Niño, porem mais fraco, acontecendo em períodos de um a dois anos após o El Niño.
Trata-se da intensificação dos ventos alísios, que atuam com mais força e levam as águas superficiais quentes para a Ásia, provocando fortes chuvas, vendavais, enchentes. As águas frias atingem a costa do Peru, aumentando o fenômeno da ressurgência e, conseqüentemente, elevando o número de peixes nessa região.
No Brasil La Niña gera escassez de chuvas na parte meridional do território e pluviosidade farta no Nordeste.

sábado, 14 de junho de 2008

Cresce número de imigrantes em busca do 'sonho brasileiro'

Dados da Polícia Federal (PF) e do ministério do Trabalho mostram que o Brasil tem sido um destino escolhido por um número cada vez maior de imigrantes em busca de oportunidades.
O perfil dos que chegam é variado. É crescente o total de sul-americanos legais ou clandestinos no Brasil, como também o de estrangeiros das mais diferentes nacionalidades, que entram como investidores individuais ou funcionários de grandes empresas.
De 2004 a 2007, houve um aumento de 51% no total novos registros de estrangeiros no país. Em 2004, a PF cadastrou 29.770 estrangeiros. Em 2007, 44.954. A PF não divulgou dados anteriores a 2004.
Quando se consideram apenas países sul-americanos, o percentual de aumento foi bem mais expressivo. Em 2004, a PF havia cadastrado 4.594 argentinos, bolivianos, uruguaios e paraguaios. Em 2007, 11.252, um aumento de 144% em quatro anos.
Segundo Paulo Sérgio Almeida, coordenador geral de Migração do Ministério do Trabalho, a nova fase de estabilidade e de crescimento da economia brasileira explica, em parte, o fenômeno.
Outros motivos citados por especialistas no tema para o aumento nos números são a desvalorização do peso argentino (destino importante de imigrantes regionais) e a decisão da Espanha de endurecer o controle de suas fronteiras, o que deslocou a rota de muitos latino-americanos para o Brasil.
Além disso, o Brasil assinou recentemente um acordo de regularização de imigrantes com a Bolívia e outro que permite que argentinos e uruguaios trabalhem no país.

Clandestinos
A imigração, no entanto, muitas vezes passa longe das vias oficiais.
Os bolivianos – que, desde o ano passado, precisam de visto para entrar na Espanha– formam o grupo mais expressivo de ilegais, com cerca de 75 mil pessoas, segundo a Pastoral do Imigrante.
"Os ônibus alugados chegam lotados todos os dias aqui em São Paulo com bolivianos. Com as novas exigências da Espanha e a desvalorização do peso argentino, o Brasil passou a ser a primeira opção para muita gente", disse à BBC Brasil o paranaense Paulo Iles, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante, criado pelo Serviço Pastoral do Migrante, ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Segundo o centro, o Brasil tem, pelo menos, 600 mil imigrantes em situação irregular.
Investidores individuais
O perfil de imigrantes que o Brasil da estabilidade está atraindo inclui também investidores estrangeiros individuais de países como Itália, Espanha, Portugal e Noruega (origens por ordem de recursos investidos no Brasil).
Em 2004, foram concedidos 197 vistos para empreendedores estrangeiros, segundo o ministério do Trabalho. Em 2007, um total quase sete vezes maior: 1336 vistos.
"Em 2008, esta cifra será igual ou maior do que a de 2007", disse à BBC Brasil Paulo Sérgio Almeida, coordenador geral de Migração do Ministério do Trabalho. Segundo ele, a estabilidade da economia aumenta a previsibilidade dos negócios e torna o Brasil mais atraente para esse tipo de investidor.
Nesse caso, a contribuição do "imigrante" para a economia brasileira é clara, apesar de em pequena escala. Em 2006, esses estrangeiros investiram US$ 86 milhões no país. No ano passado, US$ 103 milhões.
"Eles investem, principalmente, em hotéis, pousadas, restaurantes ou empresas do ramo imobiliário no Nordeste brasileiro. Muitos investem também no eco-turismo", afirmou Almeida.
O ministério do Trabalho também registrou um aumento nos pedido de visto para trabalhadores em empresas estrangeiras no Brasil.
O ministério fez uma lista dos dez países que mais pediram esse tipo de visto. Em primeiro lugar, estão os Estados Unidos com 3601 vistos em 2006 e 4519 no ano passado.
Em seguida, a Grã-Bretanha com 2199 em 2006 e 2474 em 2007. Logo depois, Filipinas com 1542 em 2006 e 2120 no ano passado.
Os investimentos americanos e ingleses são registrados em diferentes setores, mas, no caso da Filipinas, tendem a se concentram no ramo do petróleo. A mesma lista dos dez mais inclui ainda Itália, França, Alemanha, Índia, Japão, China e Canadá.

A EVOLUÇÃO DA TERRA

· Estrutura interna da Terra
A estrutura interna da Terra é composta de:
- Litosfera (50 a 60 km de espessura).
- Manto (4.600 km de espessura).
- Núcleo (1.700 km de espessura).
A Terra é constituída por camadas concêntricas e de diferentes materiais. O conhecimento de seu interior é a chave para compreender a natureza do planeta e, dessa forma, valorizar as forças que operam ali ou na sua superfície.
A crosta terrestre ou litosfera, forma a camada externa da Terra, dividindo-se em duas subcamadas: sial e sima. O sial, na parte mais externa da crosta terrestre, é rico em silício e alumínio, sua temperatura aumenta conforme a profundidade. O sima, na porção inferior, além dos minerais silício e magnésio, apresenta rochas basálticas.
O manto é a camada de transição de grande importância. Nele se produzem correntes de materiais que ascendem à crosta terrestre. Essas correntes são responsáveis por fenômenos como a formação das montanhas, dos vulcões e movimentos continentais.
A sismologia admite que, numa certa camada do manto (entre 100 e 350 km de profundidade), existe uma massa plástica de minerais capaz de se deslocar em estado líquido, a astenosfera, sobre a qual se assentam as placas tectônicas.
O núcleo, rico em ferro, níquel e minerais de alta densidade (nife), possui temperaturas acima de 6.000ºC.

· Eras geológicas
A Terra tem a idade geológica calculada entre 4,5 e 5 bilhões de anos. A geologia, ciência que se dedica ao estudo do planeta, divide a idade geológica em eras, épocas, períodos, idades e fases. Durante esse tempo, o planeta vem sofrendo inúmeras transformações. Os geólogos utilizam-se de rochas e fósseis para estabelecer uma divisão cronológica da evolução terrestre.

· Teoria da deriva continental
Denominada também de teoria da translação dos continentes ou de Wegener (1880-1930), a teoria da deriva continental afirma que continentes ou terras emersas flutuam sobre o magma ou astenosfera, da mesma forma que a madeira e o gelo flutuam na água.
Como elementos comprobatórios de sua teoria, Wegener citou:
- a coincidência entre a linha de recorte do litoral oeste africano e do leste da América do Sul, mostrando que esses recortes se encaixam como peças de um quebra-cabeças;
- concordância entre estratos rochosos dos litorais da África e do Brasil;
- semelhança de flora e fauna, que não poderiam existir caso os continentes ou as terras emersas sempre tivessem sido como nos dias atuais.
Wegener partiu da existência, há cerca de 220 milhões de anos (era Paleozóica), de um supercontinente a que deu o nome de Pangéia e de um só imenso oceano, Pantalassa.
A Pangéia teria sido dividida por um longo braço de mar, em virtude de forças internas da Terra, dando origem a duas grandes massas continentais: Gondwana e Laurásia.
Gondwana ao sul, abrangeria as atuais áreas da América do Sul, Índia, África, Nova Zelândia, Austrália, Antártida, Madagascar, além do Sri Lanka. Laurásia, ao norte, incluiria as da América do Norte, Groenlândia, Ásia e Europa.
A cerca de 65 milhões de anos (final da era Mesozóica e início da Cenozóica), a América do Sul teria começado a separar-se da África, ampliando o oceano Atlântico. O deslocamento para o oeste das terras que hoje formam as Américas ocasionou uma grande pressão sobre as rochas, comprimindo-as e desdobrando-as, dando origem à cordilheira dos Andes na América do Sul, e as montanhas Rochosas da América do Norte. O deslocamento da África e da ilha que hoje corresponde a Índia, para o norte, deu origem as cadeias montanhosas da Europa (Alpes e Pirineus), e da Ásia (Cárpatos, Caucáso e Himalaia).
Finalmente, na era cenozóica, os continentes e oceanos assumiram a configuração atual, mas os deslocamentos continuam.
Alfred Wegener não conseguiu explicar, em sua teoria, como os continentes poderiam deslocar-se. No entanto, a teoria ganhou consistência nos anos de 1950, quando a geofísica, por meio de modernas técnicas de pesquisas, comprovou pela teoria das placas tectônicas ou da tectônica de placas que os continentes se movimentam sobre o magma.

· Teoria da tectônica de placas
O pesquisador Jason Morgan, da Universidade de Princeton (EUA), no ano de 1967, formulou a teoria da tectônica de placas usando conhecimentos desenvolvidos por outros pesquisadores. Um deles, Harry Hammond Hess, geofísico norte-americano, propôs a teoria do leito oceânico, além de ter descoberto os guyot - montes submarinos cujos cumes achatados teriam sido erodidos quando se encontravam acima da superfície das águas. A submersão desses montes teria ocorrido pelo deslocamento da crosta oceânica abaixo deles.
De acordo com a teoria da tectônica de placas, a litosfera é um envoltório não-contínuo dividido em partes que se apoiam ou flutuam sobre a astenosfera. Identificaram-se oito placas principais, de maior extensão, e seis secundárias de menor extensão. Na parte superior dessas placas, firmemente incrustadas em rochas densas, estão os continentes e terras emersas e as bacias oceânicas.
Em razão dos movimentos tectônicos, a placa Sul-americana afasta-se da Africana a velocidade de 2 cm por ano; a de Nazca mergulha por baixo da Sul-americana 10 cm por ano; as de Scotia e do Caribe não são atingidas diretamente pelo deslocamento da Sul-americana, que passa muito próxima a elas. Verifica-se também um afastamento entre a África e a Ásia, na região da península arábica, com a tendência do mar Vermelho aumentar de largura, originando um oceano. Além disso, as zonas sísmicas ou de terremotos e de vulcanismo encontram-se na faixa de contato entre as placas que são áreas de instabilidade geológica.

· Rochas
As rochas são associações de partículas de minerais, isto é, substâncias inorgânicas com uma composição química determinada, constituída de elementos que aparecem naturalmente na crosta terrestre.
Elas classificam-se em simples e compostas: rocha simples é formada por um só tipo de mineral; a composta, por várias espécies de minerais.
As rochas conforme a origem, são: magmáticas ou ígneas, sedimentares ou estratificadas; e metamórficas.

a) Rochas magmáticas ou ígneas
Constituem a base dos continentes. Elas originam-se do magma pastoso ou líquido que é pressionado para a superfície terrestre, em razão das elevadas temperaturas. Caso se esfrie antes de alcançar a superfície, ou seja, solidifique-se no interior da Terra, o magma originará minerais cristalizados, como o granito - rocha ígnea intrusiva ou plutônica, que se consolida nas partes profundas da litosfera. Se atingir a superfície terrestre, por meio de vulcões ou das dorsais submarinas, causará rochas ígneas extrusivas ou vulcânicas, formadas pela solidificação do material das erupções vulcânicas, sendo o basalto a mais comum.

b) Rochas sedimentares ou estratificadas
São as mais abundantes na superfície terrestre e sua formação provem do acúmulo de partículas de origem mineral, animal ou vegetal, segundo o processo de sedimentação que as diferenciam.
- Detríticas: estão expostas de forma permanente ao desgaste e a destruição, por efeito das chuvas, geleiras, rios, mares e ventos que transportam seus sedimentos para outros lugares. São rochas detríticas: arenito e saltito.
- Químicas: originam-se da evaporação das águas como o sal.
- Orgânicas: provem do acúmulo de enormes quantidades de organismos (restos de vegetais e animais), dentre eles petróleo, carvão e betume.

c) Rochas metamórficas
O nome resulta de metamorfosis, que significa trocar a forma. Essas rochas derivam das transformações ocasionadas por intenso calor e pressão sobre as rochas ígneas ou sedimentares, que modificam sua metamórfica composição mineral. Quando o magma atinge a crosta terrestre, suas rochas, em contato com as novas condições de temperatura ou pressão, modificam-se: o calcário transforma-se em mármore, o arenito em quartzito.

· Principais estruturas geológicas da Terra
A crosta terrestre compõem-se essencialmente de rochas. Em razão das grandes transformações no planeta, a disposição dessas rochas determinou três tipos diferentes de formação: escudos antigos ou maciços cristalinos, bacias sedimentares, e dobramentos modernos.

Escudos antigos ou maciços cristalinos
São blocos imensos constituídos de rochas cristalinas do tipo magmático-plutônicas, que foram as primeiras na crosta terrestre, formadas na era pré-cambriana, ou de rochas metamórficas, que são extensões resistentes, estáveis, bastante desgastadas e geralmente associadas à ocorrência de minerais metálicos, originadas de material sedimentar paleozóico.
No Brasil, esses escudos ou maciços correspondem a 36% da área total e dividem-se em duas grandes porções: Escudo das Guianas, ao norte da planície Amazônica, e Escudo Brasileiro, na parte centro-oriental, cuja grande extensão permite classifica-lo em outros escudos e núcleos.
Os escudos formaram-se durante os períodos Arqueano e Algonquiano.

Bacias sedimentares
São depressões relativas, ou seja, planos mais baixos encontrados nos escudos, preenchidas por detritos ou sedimentos das áreas próximas. Esse processo de deposição sedimentar surgiu nas eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica e ainda continua. As bacias sedimentares estão associadas à presença de combustíveis fósseis - petróleo, carvão, xisto e gás natural.
No Brasil, elas correspondem a 64% do território nacional e constituem grandes bacias: a Amazônica, a do Meio-norte, a do Paraná, a São-Franciscana e a do Pantanal Mato-Grossense; ou pequenas bacias, geralmente alojadas em compartimentos de planaltos, como as do Recôncavo Baiano, de Curitiba, Taubaté, Resende e São Paulo.

Dobramentos modernos
São grandes estruturas formadas por rochas magmáticas e sedimentares pouco resistentes. Forças tectônicas vigorosas, durante o período Terciário da era Cenozóica, provocaram o enrugamento dessas estruturas, originando grandes cadeias montanhosas ou cordilheiras, como os Andes, as Montanhas Rochosas, os Alpes, e o Himalaia. Nessas áreas instáveis da crosta terrestre, são freqüentes os terremotos e as atividades vulcânicas. Não estão presentes no território brasileiro.

· Solos
O estudo do solo é fundamental para o desenvolvimento da agricultura, pois dele os vegetais retiram os nutrientes necessários para o desenvolvimento. Todos os seres vivos sobrevivem dos recursos encontrados e desenvolvidos no solo, por isso os estudiosos preocupam-se em desenvolver técnicas inovadoras para aproveitá-lo melhor, sem causar sua destruição. É necessário garantir a permanência da sua fertilidade para a sobrevivência da humanidade.
O solo é a camada superficial da crosta terrestre, de espessura variável, resultante da ação do intemperismo. Nele se encontram elementos e partículas minerais, matéria orgânica, água e oxigênio.
A troca de temperatura constante (calor e frio) produz contração e dilatação das rochas, resultando em fraturas ou rachaduras que contribuem para acelerar o processo de decomposição.
Os principais tipos de solo encontrados no Brasil são: terra roxa, massapé, de cerrado, da caatinga e da Amazônia.
Possuem grande fertilidade:
- Terra roxa, resultante da decomposição da rocha magmática vulcânica - basalto -, encontrada principalmente nos estados do Paraná e São Paulo. Nessas áreas, cultivam-se café, cana de açúcar, trigo e soja.
- Massapé, solo argiloso da Zona da Mata nordestina. Origina-se da decomposição de rochas do tipo granito e calcário. Representou a base econômica do Brasil colonial, pois nele se desenvolveu o cultivo da cana de açúcar.

RELEVO TERRESTRE

· Agentes modificadores do relevo
A geomorfologia estuda o relevo. Assim, ela se relaciona intimamente com a geologia e a geografia. Enquanto a primeira fornece vários conhecimentos relativos às rochas e aos minerais, ao tectonismo, ao vulcanismo, às estruturas geológicas; a segunda fornece subsídios importantes sobre o clima e suas relações com as formas e evolução do relevo, a ocupação humana, a produção do espaço geográfico e suas conseqüências ambientais, entre outros.

- Agentes internos ou endógenos
São as forças internas do planeta, causadas pela pressão e altas temperaturas das camadas mais profundas. Geralmente essas manifestações são violentas e rápidas, como é o caso dos terremotos e vulcões. Esses movimentos são construtores e modificadores do relevo terrestre, podendo levar milhões de anos ou apenas um dia.

a) Tectonismo
Também denominado diastrofismo (distorção), caracteriza-se por movimentos lentos e prolongados que acontecem no interior da crosta terrestre, produzindo deformações nas rochas. Esses movimentos podem ocorrer na forma vertical (epirogênese) ou na horizontal (orogênese).
A epirogênese ou falhamento consiste em movimentos verticais que provocam pressão sobre as camadas rochosas resistentes e de pouca plasticidade, causando rebaixamentos ou soerguimentos da crosta continental. São movimentos lentos que não podem ser observados de forma direta, pois requerem milhares de anos para que ocorram.
A orogênese ou dobramento caracteriza-se por movimentos horizontais de grande intensidade que correspondem aos deslocamentos da crosta terrestre. Quando tais pressões são exercidas em rochas maleáveis, surgem os dobramentos, que dão origem às cordilheiras. Os Alpes e o Himalaia, dentre outras, originaram-se dos movimentos orogênicos.
b) Vulcanismo
Vulcão é uma elevação cônica terminada em cratera, formada por uma fenda na crosta terrestre, por meio da qual massas rochosas em fusão e gases procedentes do interior da Terra atingem a superfície do planeta, por um condutor ou canal denominado chaminé.
Os vulcões são comuns em zonas de encontro das placas tectônicas. Existem, no planeta, duas áreas onde se concentram: uma é a região do Círculo de Fogo do Pacífico (da Cordilheira dos Andes às Filipinas); a outra, o Círculo de Fogo do Atlântico (da América Central, passando pelas Antilhas, até Açores e Cabo Verde).
Quando um vulcão entra em erupção, ele expele lavas, gases e material piroclástico. Lava é a massa de rocha fundida à temperatura média de 600 a 1000ºC. A emissão de gases é uma forma encontrada pela natureza para aliviar as fortes pressões internas. O material piroclástico compõem-se de fragmentos de rochas lançados a centenas de metros de altura. Principais tipos:
- Cinzas: de aspecto arenoso, podem permanecer suspensas na atmosfera por longo tempo. Ao depositarem-se sobre a superfície terrestre, tornam o solo muito fértil.
- Lapílis: fragmentos de lava que podem chegar à superfície na forma sólida ou pastosa.
- Bombas vulcânicas: grandes blocos de lava que solidificam no ar.

c) Abalos sísmicos
São movimentos vibratórios provocados pelos desmoronamentos internos da crosta terrestre e propagam-se em todas as direções em forma de ondas sísmicas, que chegam à superfície e podem ser registradas pelos sismógrafos.
Nos últimos anos, os cientistas voltaram sua atenção para localidades assoladas por terremotos que causaram grandes danos materiais, além de numerosas vítimas. Terremotos ou sismos são catástrofes naturais ante as quais não se tem defesa ou proteção.
O ponto do interior da Terra onde se origina o terremoto denomina-se hipocentro ou foco, e o ponto na superfície terrestre onde ele alcança maior intensidade, epicentro.
Se o epicentro estiver no fundo do mar, forma-se um tsunami, nome japonês dado às ondas gigantescas (maremotos), que chegam a atingir 30 metros de altura, propagando-se a grandes velocidades e arrasando zonas litorâneas. Esses fenômenos são freqüentes na costa asiática do Pacífico.
No decorrer de um ano, registram-se milhões de abalos sísmicos; aproximadamente 5.000 são percebidos pelo homem. Os efeitos dos tremores são variados: abrem fraturas no solo, desviam as correntezas dos rios, destroem parcial ou totalmente cidades, contorcem as vias férreas. No entanto, o efeito mais terrível é a perda de vidas humanas.
No Brasil os terremotos são raros em razão de o país estar localizado no centro de uma grande placa tectônica e os abalos ocorrerem nos limites das placas.
A intensidade de um terremoto é medida por uma escala numérica crescente. A mais utilizada é a escala de Richter, com graus de intensidade que variam de 1 a 9. Do ponto de vista científico, um ponto na escala Richter é imperceptível, não causando danos nem é sentido, entretanto a intensidade de 9 graus pode provocar uma catástrofe sem precedentes.
- Agentes externos ou exógenos
Existem agentes externos, na superfície terrestre, que modificam o relevo, não tão rapidamente como os vulcões ou terremotos, mas sua ação contínua transforma lenta e ininterruptamente todas as paisagens da Terra. A ação dos ventos, do intemperismo e da água sobre a crosta terrestre determinam a erosão.
A intensidade da erosão é determinada pela resistência das rochas e pela ação e energia do agente erosivo. Assim, por exemplo, certas regiões desérticas são submetidas a enormes diferenças de temperatura. Durante o dia ela chega a alcançar mais de 40ºC e à noite, devido à perda de calor, menos de 0ºC. Essas mudanças bruscas produzem finas aberturas nas rochas, que pouco a pouco, dividem-se em partes e destroem-se.
O vento é outro agente de erosão. Sua ação engloba três fases: a de desgaste da rocha (erosão), determinando curiosas formas nas paisagens; a de transporte de materiais resultantes dessa erosão e, por fim, a deposição desses sedimentos, dando origem a outra forma de relevo.
A água, em seus estados líquido e sólido, atua sobre o relevo. As águas da chuva e do degelo, ao deslizarem pelo solo, assumem grande importância ao transformarem-se em rios torrenciais.
A ação erosiva de um rio é extremamente destrutiva em seu curso superior, pois aí se encontram os maiores declives. O desgaste diminui à medida que se vai aproximando das planícies.
O mar também atua como grande agente do relevo, na formação de praias ou no desgaste de encostas, que no Brasil são conhecidas como falésias.
Mas, sem sombra de dúvidas, o agente externo que mais tem transformado o relevo tem sido o homem, através de grandes obras, da mineração, da urbanização, dentre outros fatores. O que a natureza levou bilhões de anos para formar o homem leva anos ou menos para modificar ou mesmo destruir.

· Formas de relevo
As formas de relevo na superfície terrestre são muito variadas, no entanto destacamos quatro principais: planície, planalto, depressão e montanha.

a) Planície
Relevo plano, de pouco declive e altura, a planície corresponde a uma bacia de sedimentação que se acumulou no passado, e continua se acumulando pelos depósitos sedimentares deixados pelos rios, mares e ventos. Essa forma de relevo é encontrada ao longo dos rios, e próximo a lagos e mares, onde o trabalho de erosão é mais intenso. Sua altitude aproximada é de 0 a 200 m acima do nível do mar. A planície é o tipo de relevo preferido pelo homem para viver - 96% da população da Terra habitam regiões planas.

b) Planalto
O planalto apresenta relevo de altitudes elevadas, superfície quase plana e altura variada, onde o processo de erosão supera o de sedimentação. Pode surgir entre cadeias montanhosas. Para essa forma de relevo, geralmente se considera um mínimo de 500 m de altitude. As bordas dos planaltos podem apresentar-se sob forma de paredões abruptos (escarpas) ou rampas suaves. No Brasil, os planaltos têm altura modesta.
Muitas culturas, como as dos incas e astecas, se desenvolveram em planaltos. Nas zonas tropicais e equatoriais, o homem busca esse tipo de relevo para sua moradia, pois ali encontra boas condições climáticas determinadas pela altura. São bons exemplos a Cidade do México, a 2.276m, e Quito (Equador), a 2.800m de altitude.
c) Montanha
É uma grande elevação da crosta terrestre. Semelhante a um cone. Montanhas em série formam cadeias ou cordilheiras. As maiores cordilheiras são as dos Andes e do Himalaia. Por sua formação geológica recente, apresentam alturas elevadas e cumes pontiagudos.
As montanhas sempre despertaram o espírito ousado e curioso do homem, que tentou conquistá-las, muitas vezes com esforços sobre humanos. A conquista do Everest, a mais alta montanha da cadeia do Himalaia, com 8.848m de altitude, foi conseguida, pela primeira vez, por Sir Edmund Hillary, 1953.

d) Depressão
Relevo situado abaixo do nível do mar ou de terras circundantes. As depressões podem ser relativas ou absolutas. Consideram-se depressões absolutas as áreas continentais abaixo do nível do mar. As relativas encontram-se acima do nível do mar, porém a uma altura inferior à da superfície vizinha.

GEOGRAFIA E UNIVERSO

Do que trata a geografia? Qual seu objeto de estudo? Já houve quem dissesse que a geografia é a história do presente. Não é simplesmente isso. Claro que há semelhanças entre geografia e história. São duas ciências que tratam do homem: a primeira enfatiza a relação com o espaço e a segunda, com o tempo.
É no espaço geográfico que o homem constrói suas complexas relações, convivendo com a natureza e modificando-a. Dessa forma, o espaço geográfico pode ser natural ou humanizado.
A preocupação maior da geografia é entender o homem, seu relacionamento com a natureza e com os outros homens; de que forma cada sociedade humana estrutura e organiza seu espaço e a integração com outras sociedades, promovendo trocas culturais e econômicas.
Assim, a geografia trata de estruturas socioeconômicas, relações entre trabalhadores, formas de produção e de desenvolvimento tecnológico.
Nessa teia de relações, a geografia se coloca como forma de saber privilegiado sobre a realidade, procurando entende-la e propondo alternativas para diminuir ou eliminar desigualdades regionais, sociais, impactos ambientais, criando justiça social e aproveitamento racional no uso dos recursos naturais.

UNIVERSO
· Origem do universo
Antes da teoria da relatividade concebia-se um universo estático e imutável. Inspirado na teoria de Einstein, George Gamow elaborou a teoria do Big Bang (grande explosão), apresentada ao mundo em 1948.
Segundo essa teoria, o universo surgiu de uma explosão, entre 15 e 20 bilhões de anos atrás. Teve origem em gigantescas concentrações de energia, gerando uma expansão que dura até hoje.

· Galáxias
São regiões do universo onde se aglomeram planetas, estrelas, gases, etc. Todos esses elementos giram em torno de um mesmo centro. Os cálculos atuais indicam a existência de aproximadamente 100 bilhões de galáxias que, juntas, forma o universo. As mais famosas são: Via Láctea, onde está localizado o Sistema Solar, e Andrômeda. Ambas são visíveis a olho nu.

· Astros
São corpos que giram no espaço, classificados de acordo com a luminosidade.
Iluminados ou opacos: não possuem luz própria, recebendo luz das estrelas. São os planetas, asteróides, satélites naturais, etc.
Luminosos: são geradores da própria luz e do calor, como as estrelas.

· Constelações
São agrupamentos fictícios de estrelas definidos pelos seres humanos desde a antiguidade. Portanto não são agrupamentos naturalmente definidos, mas criados pelos homens.

· Estrelas
São corpos celestes de forma esférica que irradiam luz e calor. São formados por dois gases principais: hidrogênio e hélio, que entram em reação nuclear.
É possível classificar as estrelas de acordo com seu brilho, que indica também sua idade.

· Sistema solar
O sistema solar é composto por nove planetas que giram ao redor do Sol, além de asteróides, meteoros, cometas e satélites naturais. O Sol desloca-se em direção a lugar não identificado do espaço, levando consigo todo o Sistema Solar.
O Sol é uma estrela de Quinta grandeza e média idade (aproximadamente 5 bilhões de anos). Essencial para a vida no planeta Terra, emite radiação na forma de calor, parte dela visível na forma de luz.
O Sol é composto de hidrogênio e hélio. No centro, o hidrogênio está constantemente sendo transformado em hélio. Uma reação nuclear libera a energia que se dirige para a superfície do Sol e, depois, para o espaço, na forma de radiação.
O heliocentrismo, teoria que sustenta ser o Sol o centro do Universo, concebe que todos os astros, inclusive as estrelas, giram em torno do Sol, hipótese lançada por Aristóteles, no século V a.C., apresentada pela primeira vez pelo grego Aristarco de Samos (310-230 a.C.).
Essa idéia foi posteriormente ignorada na idade média. O dogmatismo da Igreja medieval era tão forte que temia qualquer hipótese ou estudo científico que questionasse a visão bíblica da criação, expressa no Gênesis. Os pensadores medievais aceitavam apenas a doutrina apresentada por Cláudio Ptolomeu na obra Almagesto, pela qual a Terra era o centro do Universo (Geocentrismo) e demonstrava, com razoável precisão, a posição dos planetas visíveis a olho nu. Quatorze séculos depois, o padre Nicolau Copérnico rejeitou o sistema ptolomaico, relançando o heliocentrismo.
· Lua: nosso satélite natural
Com volume 49 vezes menor que nosso planeta, não pode reter atmosfera nem água. Sua força gravitacional corresponde a 1/6 da gravidade da Terra.
É o astro mais próximo da Terra: em média 384 mil quilômetros.
A Lua é um astro iluminado. Assim, a luminosidade que vemos da Terra é a reflexão da luz do Sol. O potencial de reflexão, denominado albedo, é de 7%.

· Movimentos da Lua
- Rotação: realiza-se em torno do próprio eixo, com duração de 27 dias, 7 horas e 43 minutos.
- Translação: realiza-se ao redor da Terra em 27 dias, 7 horas e 43 minutos.
- Revolução: movimento que a Lua realiza acompanhando a Terra ao redor do Sol, no período de um ano.
A perfeita sincronia entre os movimentos de rotação e translação faz a Lua apresentar sempre a mesma face voltada para a Terra.

· Fases da Lua
De acordo com o movimento de translação da Lua, a face voltada para a Terra é iluminada pelo Sol de diferentes formas.
- Lua nova: posição de conjunção. Não é possível observá-la porque se encontra entre o Sol e a Terra.
- Lua quarto crescente: posição de primeira quadratura. Teoricamente, uma quarta parte de sua superfície pode ser observada, das 12 horas até meia noite.
- Lua cheia: posição de oposição. Observa-se metade de sua superfície iluminada entre 18 horas e 6 horas.
- Lua quarto minguante: posição de segunda quadratura. É possível observá-la da meia-noite até o meio-dia, em teoria.

· Eclipses
Os eclipses acontecem quando Lua, Sol e Terra estão alinhados. Assim, os astros podem provocar eclipses somente em duas fases da Lua: Lua nova (conjunção) e Lua cheia (oposição).
Quando os três astros estão alinhados num mesmo plano da órbita, um deles pode ser oculto por outro, total ou parcialmente. O astro oculto pode ser o Sol (eclipse solar) ou a Lua (eclipse lunar).
- Eclipse solar: ocorre quando a Lua se encontra entre a Terra e o Sol (conjunção). A Lua projeta um cone de sombra sobre a Terra.
- Eclipse lunar: ocorre quando a Terra se encontra entre o Sol e a Lua (oposição). A terra projeta sua sombra na Lua impedindo que ela reflita a luz do Sol.

· Marés
Os movimentos da Lua e da Terra, bem como a força gravitacional, exercem influência sobre as águas do planeta. O oceano (menos denso) é atraído pela passagem da Lua, ocasionando sua rápida subida. Esse movimento denomina-se maré. Além da atração gravitacional da Lua, também há atração do Sol.

TERRA NO ESPAÇO

· Terra
A Terra está localizada na galáxia Via Láctea, no Sistema solar. Ela é o terceiro planeta em ordem de afastamento do Sol. Apresenta obliquidade da eclíptica, ou seja, é inclinada. Possui superfície de 510 milhões de quilômetros quadrados e tem forma específica de Geóide.
A Terra executa 14 movimentos. Destes, dois são mais importantes: rotação e translação.


· Movimento de rotação
É o movimento que a Terra executa em torno de seu eixo polar, ou o tempo que gasta para girar 360º no sentido oeste-leste.
O tempo gasto para executar esse movimento, é de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos, denomina-se dia sideral.
Em decorrência do movimento de rotação, há:
- movimento aparente do Sol (MAS);
- sucessão de dias e noites;
- obliquidade dos raios solares durante o dia;
- desvio dos ventos e dos corpos em queda livre;
- horários diferenciados (fusos horários);
- pontos cardeais;
- abaulamento do Equador e achatamento do pólos.
No estudo das relações Terra - Sol, é comum o período de 24 horas corresponder a uma rotação completa - dia civil. A velocidade da rotação da Terra no Equador é de 1.666km/h ou 27,76km/min. A linha do Equador é a circunferência máxima do planeta, com uma extensão de 40 mil quilômetros. Quanto mais próximo dos pólos, menor a velocidade de rotação, chegando a ser nula nos pólos.

· Movimento de translação
É o movimento da Terra em torno do Sol, realizando, em órbita elíptica, um percurso de 930 milhões de quilômetros, com duração de um ano solar ou 365 dias, 5h 48m 9s, arredondada para 365 dias e 6 horas. Na prática se usa o ano civil – 365 dias. Por isso, a cada 4 anos se acrescenta um dia ao ano, constituindo-se o ano bissexto – 366 dias.
A forma da órbita do movimento de translação é uma elipse, na qual o Sol ocupa um dos focos.
Dessa forma, a Terra ora se afasta do Sol, ora se aproxima. O afastamento máximo, afélio (aproximadamente 152 milhões de quilômetros), ocorre em 4 de julho. O dia 3 de janeiro é o período em que a Terra mais se aproxima do Sol (cerca de 147 milhões de quilômetros) periélio.

· Estações do ano
No dia 21 de dezembro, o hemisfério sul recebe os raios solares quase perpendicularmente ao Trópico de Capricórnio, ocasionando o solstício de verão no hemisfério sul e o solstício de inverno no hemisfério norte.
Em 21 de junho, o hemisfério norte é que recebe os raios solares perpendiculares ao Trópico de Câncer, havendo solstício de verão nesse hemisfério e de inverno no sul.
Nos dias 21 de março e 23 de setembro, os raios solares incidem perpendicularmente na região do Equador, provocando os equinócios de primavera e outono.
Os trópicos de Câncer e Capricórnio marcam o movimento aparente do Sol na esfera celeste. Assim, localidades ao sul de Capricórnio e ao norte de Câncer jamais recebem luz solar perpendicularmente.

MEIOS DE ORIENTAÇÃO
Uma forma de orientação comum é a bússola. Ela aponta uma agulha imantada para o pólo norte magnético.
Pela constância no movimento de rotação da Terra (sempre de oeste para leste), foi possível obter a rosa dos ventos.
Colocando o braço direito para o leste (onde nasce o Sol) e o esquerdo para o oeste (onde o Sol se põem), uma pessoa fica de frente para o norte e de costas para o sul. Além dos quatro pontos cardeais, existem os pontos colaterais e subcolaterais, mais usados na navegação aérea e marinha.

· Coordenadas geográficas
Segundo estudos recentes, a Terra possui forma de Geóide, ou seja, forma própria da Terra. Isso se deve ao achatamento dos pólos e abaulamento da região equatorial. Para facilitar o trabalho na cartografia, essas imperfeições são consideradas.
A cartografia criou um sistema de linhas imaginárias que servem de base para a localização de qualquer ponto da Terra. Essas linhas são os paralelos e meridianos.

a) Paralelos: os paralelos são linhas imaginárias que cortam a Terra paralelamente a Linha do Equador. Eles são em número de 180, metade para o norte e a outra metade para o sul. A partir dos paralelos é possível determinar as latitudes.


b) Meridianos: os meridianos são linhas imaginárias que cortam a Terra passando pelos pólos (o principal meridiano é o de Greenwich). Eles são em número de 360, metade para o oeste e a outra metade para o leste. A partir dos meridianos é possível determinar as longitudes.

· Sistema de zona de horas (Fusos horários)
Inicialmente a Inglaterra padronizou a hora em suas fronteiras e estendeu essa medida para o mundo ainda no século XIX. Em 1884, representantes de 25 países, entre eles o Brasil, reuniram-se em Washington para Conferência Internacional do Meridiano. Ficou estabelecido que o meridiano de origem do mundo, o de longitude 0º, seria aquele que passa pelo observatório de Greenwich, nas redondezas de Londres. Além disso, o tempo universal seria o tempo médio de Greenwich (GMT).
Estabelecidas essas duas referências, criou-se um sistema de zonas de horas por todo o mundo.
Cada faixa ou fuso horário possui uma largura de 15º de longitude ou 15 meridianos. Esse valor foi obtido levando-se em conta que a Terra gira 360º em 24 horas. A cada hora, nosso planeta gira 15º, consequentemente, uma nova faixa ou fuso passa a ser iluminada pelo Sol, e outra não. Além disso, é possível concluir que se a cada 15º temos uma hora, a cada 1º temos 4 minutos.
É importante recordar que a Terra gira de oeste para leste. Todas as localidades situadas no leste vêem o Sol nascer primeiro. Daí, concluiu-se que elas possuem a hora adiantada. O Japão, 12 fusos a leste do Brasil, vê o nascer do Sol antes, o que significa que os japoneses sempre estão "adiantados" no tempo. De posse desses conhecimentos e da longitude de um lugar ou do fuso onde se situa, é possível determinar a hora local.

· Cálculo de horas
Para se resolver problemas relativos a fusos horários, procede-se da seguinte forma:

1. Determina-se a distância longitudinal (D.L.) entre dois lugares, ou seja, a cidade de que se conhece a hora e aquela de que se quer determinar a hora.

D.L .= Le (maior) + ou - Le (menor)

- Se estiverem no mesmo hemisfério, diminui-se a menor longitude da maior.
- Se estiverem em hemisférios diferentes, somam-se as longitudes.

2. O resultado da adição ou subtração, ou seja, a distância longitudinal encontrada é dividida por 15º ou multiplicada por 4 minutos para se saber a diferença horária (D.H.) entre os pontos.

D.H. = D.L. x 4 minutos ou D.L. / 15º

3. A hora verdadeira (H.V.) do ponto pedido é obtida através da subtração ou soma da hora do ponto pedido (H.D. – hora dada) com a diferença horária encontrada (D.H.).

H.V. = H.D. + ou - D.H.

- Somar se o ponto pedido estiver à leste do ponto dado.
- Subtrair se o ponto pedido estiver à oeste do ponto dado.

TEXTO DE APOIO

O lugar onde o calendário muda
Imagine que você resolva fazer uma viagem diferente no fim do ano: uma travessia pelo oceano Pacífico, a bordo de um Transatlântico. Uma noite, no final do jantar, quando o navio está em mar aberto, o capitão anuncia: “Atenção, senhoras e senhores! É exatamente meia-noite de 30 de dezembro. Mas temos de levantar um brinde pelo reveillon já, porque a partir de agora entramos no dia 1º de janeiro”.
Como é possível passar por cima do dia 31? Os passageiros ficam intrigados. O que existe de diferente nesse pedaço do mundo? É como se, ali, num ponto qualquer, perdido em pleno mar, o tempo sofresse uma descontinuidade, e o dia pulasse, de repente, de 30 de dezembro para 1º de janeiro. O mais estranho de tudo é que a hora continua a mesma: meia noite. Você saberia resolver esse enigma?
É que, exatamente a meia noite de 30 de dezembro, o navio cruzava a Linha Internacional da Data. Essa linha corta o globo terrestre do pólo norte ao pólo sul, seguindo mais ou menos o meridiano de 180º, do lado oposto ao meridiano de Greenwich, na Inglaterra. A partir de Greenwich são acertados os relógios de todo o mundo, pelos fusos horários. A leste dele, adianta-se uma hora, a cada 15 graus.
Só que quando de chega a Linha Internacional da Data, muda-se não o relógio, mas a folhinha: a leste dela, voltamos 24 horas no tempo. Ou seja, quem atravessa essa linha de oeste para leste volta de hoje para ontem. Por quê? Para acertar as contas do calendário.
Veja a seguir o problema que teríamos, por exemplo, se apenas contássemos as horas, a cada fuso horário.
Suponha que é meia noite do dia 30 de dezembro e você está em São Paulo (desconsidere o horário de verão). Se ligar para uma outra cidade, mais a leste, digamos a Cidade do Cabo, na África do Sul, vai ver que lá serão 4 horas da manhã do dia 31 de dezembro, porque a cidade fica cinco fusos horários a leste. Quanto mais a leste você ligar, mais tarde será. No Japão já será meio dia, e, no Havaí, 6 horas da tarde. Seguindo o mesmo raciocínio, no Peru seriam 23 horas, também do último dia do ano. Se continuasse nesse andamento, ao completar a volta ao mundo, você chegaria a conclusão de que seu vizinho do oeste já está na meia noite do dia 31. Mas você continuaria no dia 30.
Para assinalar uma única data, é preciso fazer um acerto em algum ponto. Então, por convenção, diminuiu-se um dia quando se passa pela Linha Internacional da Data, de oeste para leste. Para evitar problemas no dia-a-dia das pessoas, a Linha Internacional da Data não segue exatamente ao meridiano de 180º. Ela faz algumas curvas, desviando-se de ilhas e regiões em terra firme onde possam existir comunidades.
Veja o exemplo da confusão que reinaria numa cidade que fosse cortada pela Linha Internacional da Data. No caso de inflação alta, o cliente de um banco poderia ganhar um bom dinheiro apenas atravessando a rua. Bastaria fazer um depósito na agência bancária do lado leste da cidade e retirar o dinheiro imediatamente em outra agência, do lado oeste. Ele lucraria os juros de um dia em poucos minutos. E tem mais: os compromissos teriam de ser marcados levando em conta de que lado da cidade cada pessoa mora. Ou seja, todos teriam de manipular duas agendas.

Revista Superinteressante, Novembro de 1995.

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